terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O bureau tipográfico de Louis Dumas no Século XVIII: a busca pelo aprendizado lúdico e ativo.




Bureau Tipográfico - França Séc. XVIII

Tecnologia e educação, como não poderia deixar de ser, possuem uma relação histórica.  Hoje, ao navegar pelo site pedagógico da Biblioteca Nacional da França fiz um achado muito interessante que ilustra a influência das tecnologias na prática pedagógica. Trata-se de um bureau tipográfico (Le système du bureau typographique : un apprentissage ludique de la lecture)  idealizado pelo pedagogo francês  Louis Dumas durante o reinado de Luís XV. Influenciado pelas ideias do empirista John Locke (Locke defendia que o conhecimento se dá pela experiência), Dumas criou um sistema de aprendizagem experimental lúdico de leitura, composto de um móvel com compartimentos que armazenavam cartas com letras, números e sinais que podiam ser manipulados livremente pelas crianças durante o aprendizado, promovendo uma experiência pedagógica lúdica e com movimento do corpo.
Il a donc imaginé un petit meuble rappelant les casses typographiques où étaient rangées les lettres, chiffres et signes de ponctuation inscrits au pochoir sur le dos de cartes à jouer, afin d'offrir aux enfants un apprentissage alliant la réflexion et le mouvement du corps. 
Em minha opinião, sem muito esforço, o invento de Louis Dumas pode ser entendido como um dos precursores do uso dos modernos tablets na educação ou das telas touch screen estilo Surface ( Ver matéria Microsoft lance la classe Immersive). 

Tecnologia Surface na Sala de aula imersiva da Microsoft.  França 2013

Destaco, ainda,  a intencionalidade de Louis Dumas de criar uma pedagogia que permitisse o movimento do corpo, tirando a criança da posição passiva de recepção, uma intenção que, aliás, dialoga hoje em dia com os propósitos educacionais da tecnologia Kinect.

Por último, porém talvez o mais importante que eu gostaria de destacar aqui é o papel de inventor do pedagogo. Um pedagogo, um educador não pode se limitar a ser um mero replicador de conteúdos como denunciou o Prof. Nelson Pretto em uma entrevista (Ver post que publiquei em 2008 aqui), cabendo a ele, ao pedagogo, assumir uma postura de pesquisador, cientista e inventor de soluções pedagógicas para os problemas de aprendizagem vivenciados na sala de aula, pois melhor do que niguém é ele que tem as melhores condições de entender os sucessos e fracassos vividos nos processos de aprendizado, bem como de  propor soluções. Ou seja, por mais desgastado que o termo esteja, não existe melhor expressão do que "engenheiro do conhecimento" para designar o perfil do educador contemporâneo. Em tempos de revolução tecnológica e social, o pedagogo deve assumir uma posição de protagonista. Vivemos numa época de abundância tecnológica, recursos esses que possuem enorme potencial pedagógico e que podem - verdadeiramente - tornar o aprendizado mais ativo, mais lúdico e mais significativo.

4 comentários:

  1. Gostei da pesquisa Eri! Como podemos ver não existe novas tecnologias. Elas são muito mais antigas do que testemunhamos na atualidade, e, portanto, posso concordar que os tablets utilizados hoje, só trazem novidade por conta dos sofisticados softwares.

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  2. Jó, pois é, as tecnologias e práticas sociais se reconfiguram. Ficaríamos surpresos com outras tantas semelhanças que existem por aí. bj

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  3. Olá passei para conhecer seu espaço e ele é muito maneiro, entrei recentimente nesce mundo de bloggar e venho gostando pela oportunidade de fazer novas amizades e compartilhar ideias gostaria de parabenizar pelo seu trabalho e desejar sucesso no seu blog
    Um grande abraço

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  4. Caro Rodrigo, muito obrigado e sucesso como blogueiro! Abs

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