sábado, 21 de agosto de 2010

(Resumo e comentários) Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital


Ontem estive no evento de lançamento do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital .O encontro foi excelente, como já era esperado, considerando o alto nível dos debatedores: Rodrigo Njem (Safernet), Profa. Léa Fagundes (UFRGS) e Prof. André Lemos (UFBA).

Rodrigo Nejm contribuiu para a discussão com a questão da responsabilidade no ciberespaço, que na sua opinião antecede até mesmo as questões pedagógicas. Para ele, a responsabilidade deve começar no "primeiro clique".

André Lemos focou na caracterização da cibercultura, deixando pistas de como os educadores podem tirar proveito do potencial conversacional das atuais mídias digitais. Lemos resumiu a cibercultura como a "cultura da leitura e da escrita", em contraste com a cultura do mass media onde a emissão era centralizada. É esse potencial de ler/escrever de forma ampla que, dentre outros aspectos, os educacores precisam incorporar a suas estratégias didáticas, que como apontou Léa Fagundes, não é a didática do currículo fechado, do "livro didático" ,do ensino, etc. O foco deve ser na aprendizagem, nas interações generalizadas entre alunos e docente. Léa insistiu na epistemologia genética piagetiana para justificar a abordagem da colaboração e da construção do conhecimento na sala de aula.

Lemos acredita que não é necessário ensinar "para" a cultura digital, e teve o apoio do Prof. Nelson Pretto (UFBA) via twitter. André Lemos na verdade estava dizendo que a apropriação da técnica digital está banalizada no cotidiano (dos alunos). Outro twitteiro também abordou a questão do ensinar "PARA" e "NA" cultura digital. Na minha opinião, no caso da educação, o "na" e o "para" não são excludentes. Temos que ensinar "para" e "na" cultura digital. Podemos pensar que o "para" estaria para a aproprição técnica e o "na" para a apropriação de uma pedagogia que dê conta dos processos complexos de ensino-aprendizagem na cultura digital . O que vemos na prática é que os docentes necessitam tanto desenvolver habilidades "para" o uso das novas mídias quanto necessitam de aporte pedagógico que dê conta de ensinar "na" cibercultura.

Lemos disse que o problema dos alunos é que eles não lêem, clicam aqui, ali e acolá, mas não querem ler os textos acadêmicos. Léa Fagundes mostra que possivel reverter esse quadro quando de fato focamos na educação dialógica, na interação e na colaboração, e deu exemplo de como a tecnologia na sala de aula pode de fato contribuir para a motivação e a pesquisa voluntária, ou seja, a didática que está sendo costurada (por Léa e outros) para a cultura digital não pode ser a didática da imposição, pois essa era coerente somente na lógica da distribuição, da emissão centralizada. Hoje, retornando a "cultura da leitura e da escrita" levantada por André Lemos, o que precisa ser atualizado na sala de aula, seja ela virtual ou não, é essa potência conversacional da nova mídia. Em vez de pensar num modelo didático com passos "a","b", "c", talvez seja mais importante ter como orientadores didáticos os princípios mesmos que regem a própria cibercultura.

Enfim, gostei bastante do evento e aprendi muito com todos.
Parabéns à turma do Educared e aos dabatedores.
Espero sinceramente que o grupo de estudos nos ajude a ensinar "para" e "na" cultura digital.

12 comentários:

  1. Oi,Eri:
    mutio bom o Resumo.Compartilhei no Buzz, com esta observação:
    Penso que educar "para" a cultura Digital estaria relacionado à aprendizagem dos professores.E O "NA" cultura digital se refere aos alunos,porque eles já se apropriaram das tecnologias.

    O que você acha?
    Abs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Fátima, na minha opinião sua leitura está perfeita!
    Sabe que desde q eu publiquei esse post que estou pensando nessa história do "para" e "na". Será mesmo que os alunos dispensam o "para"?

    Estou pensando nisso pq o "para" parece que não vai se limitar apenas à habilidade técnica. Requer, tambem, esse responsabilidade que o Rodrigo enfatizou, bem como a chamada competências em novas mídias, incluindo-se nessa a habilidade com a técnica, mas não se limitando a ela. O que vc acha??
    abs

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  4. Concordo com vc,Eri.
    Penso que os alunos dispensam o "para"até certo ponto.Além das questões relacionadas à responsabilidade, pelo que tenho vivenciado em escolas a competência para as novas mídias precisa ser adquirida.Lembro que o Lemos falou sobre o aluno sair clicando e não ler.É exatamente isso que acontece.Para vc ter uma idéia,outro dia um aluno(8º ano )pediu um jornal para recortar e comentar uma notícia,para um trabalho de português.Perguntei se ele tinha internet em casa.Disse que sim.Então perguntei porque ele não pesquisava nos jornais on line.A resposta foi quase hilária:"Ué na internet tem isto?"
    Este caso demonstra que o "para"do professor não existe porque não orientou(a escola tem aulas no laboratório de informática) e o NA do aluno precisa ainda ser bem trabalhado.

    Desculpe a resposta enorme...mas é que a conversa tá muito boa, rsrsrss
    Abs

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  5. Oi Fátima,
    A conversa está ótima mesmo :) Fique à vontade!
    Tb estou de acordo com vc.
    Lembro também que o André Lemos colocou que o problema da educação na cibercultura é o problema desde sempre, ou seja, desenvolver capacidade crítica. Capacidade essa que a mera habilidade com a técnica n dá conta.
    Outra coisa que precisa ser levada em consideração é que nem todos na escola são nativos digitais típicos. A classificação por ano de nascimento não prevalece sobre aspectos sociais e econômicos.
    Essa conversa pode render bastante lá no grupo, vc já teve o acesso?
    Abs

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  6. A Educação precisa ser vista com o tamanho de sua complexidade. Dizer que acredita que não é necessário educar "para" a cultura digital é muito relativo.
    Se os nativos (diga-se de passagem, da geração Y) vêm de uma família que já possui o acesso às tecnologias digitais, discussão encerrada... Mas existem aqueles que sequer possuem luz elétrica em casa! O Brasil é enorme em tamanho e diversidades. Trabalho em uma região de grandes diversidades (culturais, ocupacionais, sócio-econômicas etc - Vale do Jequitinhonha) e presencio demandas – totalmente heterogêneas – diariamente em minha sala de aula (UFVJM). Reside aí a diversidade. Acredito que não se faz educação sem levar em conta o contexto. E reflito: será que o contexto de uma sala de aula de São Paulo, com alunos socialmente bem colocados é o mesmo de uma sala de aula do interior do País com alunos menos favorecidos? A
    Na verdade, como educador, tenho de me preparar para educar "para" e “na” cibercultura. Não consigo ver essa dicotomia. Creio que é melhor conviver na “conjunção” e na busca do equilíbrio do processo, que a simples opção por um lado que simplesmente atenda a um grupo de eleitos.
    Que venha o grupo e as discussões! Vamos aprender juntos! Até lá!

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  7. Eri, linkei o seu ótimo post no blog do EducaRede (www.educaredeporai.blogspot.com). Sobre o post e os comentários, acredito que vcs pontuaram aspectos super relevantes, como a influencia dos aspectos sociais e o acesso às tecnologias na formacao da chamada Geracao Y. Concordo com vc, Eri, qdo diz que no caso da educação, o "na" e o "para" não são excludentes. Penso que o fato de já estarmos NA cultura digital indica que mesmo o educar PARA é parte do processo de aprendizagem em si. Mas, como já vi que essa suposta dicotomia entre o NA e o PARA vai mesmo dar pano pra manga (rs), acredito que, definitivamente, precisamos levar esta conversa para o Grupo de Estudos (www.educarnaculturadgital.org.br)

    Abracos a todos e nos vemos lá!
    Vanessa

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  8. Oi Márcio,
    Em total acordo com vc!Não há como fazer generalizações quando lidamos com educação, aprendizagem, menos ainda neste caso. A sala de aula é heterogênea no sentido amplo: cognição, habilidades, conhecimentos, etc...

    Pelas nossas falas aqui, parece que estamos apontando para mesma conclusão: é preciso educar "para" e "na" cultura digital. A questão agora é "o que" e "como".

    Acabei de receber os dados de acesso para o ambiente do grupo de estudos...essa conversa vai render muito ainda :)
    Abs

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  9. Oi Vanessa,
    Obrigado pelo link! Com certeza o "na" e o "para" vão dar pano pra mangas e para o vestido inteiro rsrs Como estamos vendo aqui, optar por uma ou outra postura tem implicações significativas na forma como vamos tratar a educação na cultura digital.
    A conversa está ótima! Vamos em frente!!
    Abs

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  10. Olá, Eri,
    Hoje, creio, tive um exemplo de ensinar na/para cultura digital. Alunos de escolas públicas assistindo a um debate presencial, acadêmico apropriando-se do seu conteúdo e produzindo sua versão em outras mídias: blog, podcast e vídeo.
    Creio que começa assim.
    Abs
    Salete

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  11. Olá José!
    Muito interessante o teu blog. Com assuntos bastante relevantes para a educação na cultura digital. Estou seguindo-o desde já. O meu blog é recente, mas se quiser dar uma passadinha por lá o endereço é http://blogprofgesiel.blogspot.com
    Um abraço!

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  12. Obrigado pela visita e pelos comentários. Passei em seu blog e deixei um comentário lá. Parabéns!
    Eri

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